Carteira de Dividendos vale a pena? Tudo sobre dividendos!

Tempo de leitura: 10 minutos

Se você já investe em ações, certamente já ouviu falar de carteiras de dividendos. Talvez já tenha ouvido falar sobre os homéricos feitos de George Soros, Warren Buffett, ou mesmo Peter Lynch. Possivelmente, já passou dias procurando as chamadas vacas leiteiras deste segmento, e algumas vezes encontrou taxas de retorno (Dividend Yeld) que pareciam a oportunidade do século. Mas o que é realidade neste mundo, e o que não passa de alimento para o ego? No vídeo de hoje, vamos falar sobre pontos positivos, negativos e de atenção que devemos considerar ao optar por uma carteira de dividendos como solução em investimento. Assista agora mesmo, no player abaixo!

Carteiras de dividendos: A teoria por trás

Chamamos de carteira de dividendos a estratégia de investimento em que compramos ações cuja remuneração ao acionista na forma de dividendos se mostra atrativa e, principalmente, recorrente. Nesta categoria podemos também considerar outros proventos cujos efeitos finais se dão como semelhantes, tais como os Juros sobre Capital Próprio e até mesmo bonificações ao acionista.

Dividendos são, assim como os demais proventos descritos acima, isentos de imposto de renda, logo o objetivo primário de um investidor que adota esta estratégia pensando em longo prazo é o de construir renda líquida com sua carteira. Mas antes de entendermos os prós e contras deste tipo de estratégia, vamos falar sobre o que origina a distribuição de um dividendo.

Dividendos, em linhas gerais, são a parcela do lucro líquido (após tributação, inclusive) distribuída aos acionistas. Como já houve o recolhimento de tributos de forma prévia, tais distribuições são isentas. Obviamente, caso a empresa registre prejuízo em determinado exercício, não é praticável a distribuição de dividendos. Mas será que, em caso de uma situação próspera, em termos de saúde financeira, uma empresa deve necessariamente distribuir seu lucro aos acionistas?

Se engana quem acha que a única resposta cabível a esta pergunta é “Sim!”. Na verdade, esta definição depende de uma série de fatores, sendo o principal deles o nível de consolidação da companhia em seu mercado. Em geral, empresas cujo foco está na expansão de sua fatia de mercado não distribuem dividendos com tanta regularidade, pois estão muito mais focadas em reinvestir grande parte do seu capital nas atividades produtivas da própria empresa, do que em engordar os bolsos dos sócios. Já empresas consolidadas, cujas atividades já possuem um campo de atuação bem delimitado, sem grandes ambições de reinvenção dos modelos de negócio, costumam ser melhores pagadoras de dividendos. Com tímidos projetos de expansão, sobram recursos para ser distribuídos aos acionistas, a exemplo dos segmentos de telecomunicações e energia elétrica.

Logo, atenção: Não é porque uma empresa não paga, ou paga dividendos em pequena quantidade, que não estamos falando de uma empresa lucrativa. No entanto, quando esta empresa realiza distribuição frequente de seu lucro aos sócios, vemos indício de consolidação, e é por isto mesmo que empresas consideradas como boas pagadoras de dividendos são vistas como alternativas menos vulneráveis aos períodos de forte volatilidade e crises. Ao mesmo tempo, dado o menor arrojo, podem render menores frutos no ganho de capital, se comparadas com companhias focadas em expansão e reinvestimento, quando estamos falando em ciclos de prosperidade, na economia e na Bolsa. Em outras palavras, se uma empresa é boa pagadora de dividendos, espere menor instabilidade em momentos de crise, de forma paralela a um menor resultado no ganho de capital nos momentos em que compradores estiverem mais afoitos do que vendedores no mercado como um todo.

Agora que entendemos alguns princípios básicos, quais cuidados devemos tomar para evitar expectativas irreais e riscos maiores do que o esperado?

A segurança de uma carteira de dividendos

Por conta dos motivos vistos até agora, muitos investidores têm a visão de que uma carteira de dividendos é a mais segura das opções de investimento. Já ouvi dizer que empresas pagadoras de dividendos e imóveis são as formas mais seguras de investir. Agora, até que ponto estas opiniões não possuem algum grau de equívoco?

Por favor, não me entenda mal. Não estou julgando negativamente a modalidade de investimento em si. Mas convenhamos: Não dá para associar um investimento em renda variável à estabilidade da renda fixa. Mesmo que exista o mais perene dos fluxos de caixa, quando existe exposição a expectativas assimétricas de mercado, estamos abrindo espaço para oscilações que, muitas vezes, fugirão ao que consideramos como lógico em nossas análises. Isto porque, simplesmente, o mercado é soberano, e ponto! Se você entende que existem riscos, embora em menor escala se comparados com ações de empresas de comportamento agressivo em conquista de marketshare, let’s go para o próximo tópico.

O Dividend Yeld (DY) como forma de medir a remuneração por dividendos

Você que me lê até agora pode estar se perguntando: “Será que existe uma forma de medir quais os melhores pagadores de dividendos para uma estratégia de carteira de dividendos”. A resposta é positiva, mas devemos ter cuidado!

O Dividend Yeld é o indicador de mercado que dividirá o preço de uma ação pela média de dividendos paga anualmente ao acionista, por ação. Há casas de análise que o calculam com base nos dividendos passados, assim como outros profissionais que preferem projetar dividendos futuros com base em análises de foco macro e microeconômicas. Particularmente, acredito que quanto menor o espaço para subjetividade e viés pessoal, melhor! Logo, busco sempre desconsiderar projeções individuais e focar no fluxo já demonstrado. Mas atenção: O grande risco do Dividend Yeld passado é que ele reflita um momento específico de distribuição de lucros que não venha a se repetir. Logo, a máster “Retorno passado não é garantia de retorno futuro” se faz presente nesta modalidade de forma tão ou mais destacada do que em outras formas de aplicar em renda variável.

Dividend Yeld (DY) = [Dividendo médio distribuído por ação em 12 meses / Preço corrente da ação]”

Novamente, vale afirmar. Não é mandatório que uma empresa lucrativa distribua lucros. Uma ação de empresa focada em reinvestimento interno pode ser tão ou mais lucrativa do que uma legítima “vaca leiteira”, pois em um período de expectativas otimistas, seu ganho de capital decorrente de valorização nominal pode ser bastante agressivo.

Jamais se iluda com um Dividend Yeld estratosférico, pois muitas vezes pode denunciar uma tendência de queda acentuada nos preços, em que a desvalorização das ações se dá de forma mais rápida do que qualquer impacto que possa existir nos lucros, geralmente vistos em forma de demonstrativos trimestrais. Um bom investidor desta modalidade mantém os pés no chão e busca validar cada tomada de decisão de forma prévia.

Como obter uma informação mais sólida na seleção de sua carteira de dividendos

O Dividend Yeld é bom, mas só ele não basta. Alguns outros indicadores de natureza fundamentalista (análise voltada à saúde financeira, e não ao momento de mercado de forma isolada) devem ser considerados na hora de escolher uma candidata ao seleto pool de uma carteira de dividendos. São eles:

  • A estabilidade histórica na geração de caixa;
  • O baixo nível de endividamento, para que os juros de sua dívida não corroam os lucros futuros;
  • Elevada margem de lucro, geralmente calculada como [Lucro Líquido/Receita Líquida] nos demonstrativos contábeis da empresa.
  • Sensibilidade política, de tecnologia, ou qualquer barreira de entrada que possa oferecer ameaça à competitividade da companhia, e por consequência aos resultados operacionais finais.

Considerações sobre uma carteira de dividendos

Muito se fala sobre carteira de dividendos, e quem me acompanha há algum tempo deve saber que este, definitivamente, não é o meu perfil de investimento. Meu foco sempre foi nas operações de momento, focadas em aproveitar movimentações mais curtas nos preços. Mas de forma imparcial, não seria prudente taxar a modalidade por minhas preferências.

Logo, tomados os devidos cuidados, uma carteira de dividendos bem estudada pode ser uma robusta alternativa, em especial para quem possui como convicção a preferência por modelos de investimento do tipo societário, e para quem tem por objetivos de longo prazo colher frutos como um legítimo sócio empreendedor, pouco se importando com os movimentos de curto prazo. Diferentes perfis requerem, em geral, soluções sob medida. Por isto mesmo que não existe certo ou errado neste mundo, apenas o “terno que melhor veste a cada corpo”.

Sempre tenha em mente, no entanto, que caso alguma coisa mude no meio do percurso, ajustar as velas é sempre é uma opção melhor do que afundar em alto-mar. Em outras palavras, não tenha dó de sair de uma posição, caso o que te gerou a decisão de compra deixe de ser um cenário viável. Esteja sempre ciente de que o risco está lá, e administrá-lo pode ser uma decisão mais inteligente do que evitá-lo ou simplesmente abraçá-lo.

Por fim, uma recomendação

Caso você ainda esteja estudando as melhores formas de investir no mercado de ações, tenho um material bastante completo para te indicar. Este material certamente te ajudará a definir com clareza a melhor rota para seus objetivos e características como investidor. Falo de um eBook (livro digital) que eu mesmo escrevi com base nas principais dúvidas e respostas que nortearam o meu caminho no início de minha trajetória como investidor, tanto em estudos fundamentalistas quanto técnicos. Este eBook recebe, orgulhosamente, o título de “O Guia Definitivo do Investimento em Bolsa”. Quer saber a parte mais legal? Sem cartões de crédito, boletos, ou compromissos. Este eBook é gratuito, para você que está engajado e deseja aprender mais sobre este mundo. Clique no link abaixo para baixar.

investimento bolsa de valores

Quero baixar o Guia Definitivo do Investimento em Bolsa

E para finalizar, eu teria o maior prazer em ver o seu comentário logo abaixo, para tirar dúvidas e pontuar observações adicionais. Assim, poderemos trocar ideias sobre este conteúdo, suas dúvidas e ideias. Este bate papo pode ser base para próximos vídeos. Ah, e não se esqueça de se inscrever no canal do Portal ALOQ no Youtube para ser notificado de cada nova matéria que eu postar.

 

Eu te vejo no próximo vídeo.