Investimentos a curto prazo na Bolsa de Valores: É possível?

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Você alguma vez já investiu um certo dinheiro, comprometido com uma obrigação de curto prazo, na bolsa de valores? Como foi a experiência? No episódio de hoje, vamos falar sobre a visão de prazo das diferentes formas de se operar, desde carteiras de ações até o day trade Rock n’ Roll. Afinal, dá para pensar em investimentos a curto prazo na Bolsa de Valores?

Assista ao  de hoje vídeo, logo abaixo.

Carteiras de ações e o curto prazo

Para começo de conversa, a ideia de comprar uma ou várias ações de boas empresas, que pagam bons dividendos, e oferecem um belo horizonte de retorno para quem procura ganhar com a elevação dos preços, pode ser considerada por alguém que deseja investir a curto prazo? Pense comigo… Quem encarteira ações parte do princípio de que existe certa distorção entre o valor justo, identificado por um determinado racional de análise, e os preços que vêm sendo praticados no ambiente de bolsa. Em geral, a análise utilizada para mensurar relação entre preço e valor é a análise fundamentalista, e esta se ocupará de mapear oportunidades a partir do valor contábil, da perenidade de saúde financeira da empresa, e até mesmo do contexto de oportunidade em que as atividades da empresa estão inseridas.

Que o tipo de investimento faz algum sentido, e que pode parecer interessante para quem esteja munido de uma boa métrica de valor ou de um bom nível de informação sobre o contexto das projeções daquela empresa, você já deve saber. Agora, o prazo de maturação de um tipo de análise como esta eu te conto agora: Quem investe através desta linha, seta seus objetivos no longo prazo, e tem pouca ou nenhuma previsibilidade do que possa ou tenda a acontecer nas janelas mais curtas. Em outra palavra, um encarteirador de ações tem muito mais segurança em sua projeção mais longa do que na mais curta. É por isto mesmo que quando ele compra ações, e as mesmas se desvalorizam na sequência, ele tende a comprar mais, afinal o target se mantém no mesmo patamar. Se já era interessante antes, agora tende a ser ainda mais, vez que o potencial de upside em relação ao preço é maior.

Ok, mas e quem opera através da análise gráfica?

A mais tradicional forma de se interpretar um gráfico é aquela em que cada barra de registro dos preços é o resumo de um dia de negociação. Quando nossa referência de amostra do cenário é o gráfico diário, geralmente temos em mãos uma estilo de operação do tipo swing trade. Este modelo operacional consiste em interpretar sinais voltados ao timing de curto prazo, em que a partir de uma entrada, a operação tenha sua vida útil para atingir seu objetivo entre 2 e 20 dias (frequentemente, entre 2 e 10 dias). Sendo assim, você estar pensando: “Aí sim, encontrei uma forma de operar a curto prazo na bolsa!”. Ledo engano!

Se você parar para analisar os resultados de uma estratégia de análise gráfica bem estudada, com elevado teor de consistência, pode ficar pasmo com os resultados que verá pela frente. O gráfico de preços nos mostra um comportamento exponencial, bem direcionado, e com diversas superações na curva de capital. Pode até parecer que você encontrou o melhor investimento do mundo. A maioria olha para uma estratégia como esta e tem uma das seguintes reações: 1) Acha que é impossível, logo associa o estudo a um erro de cálculo, ou a uma fraude caso tenha sido apresentado por um terceiro; 2) Se enche de empolgação e resgata sua renda fixa. Se sua reação à curva de uma estratégia como a abaixo, que é uma das que ensino em um curso de análise técnica e estratégias de trading cerca de 2 vezes por ano, é de espanto, possivelmente você não está olhando para as variáveis que deveria…

 

curva pivot mm(Imagem da curva de capital da estratégia Pivot MM de jan/2005 a jun/, um dos sistemas ensinados no curso Mestre dos Gráficos)

Observe um ponto delicado. Apesar de esta estratégia ter demonstrado um retorno sobre o capital digno de um “MetaOscar”, houve períodos em que passou por mais de 1 ano andando de lado, ou com leves prejuízos (trecho destacado na imagem). Logo, os retornos que aconteceram, na somatória final, são a forma como a estratégia remunera o investidor por sua paciência nestes momentos. Chamamos de “underwater blindness” o fenômeno em que o investidor, tentado pelo resultado final, simplesmente ignora os períodos de instabilidade que aconteceram ao longo do período. Um investidor que olha para uma curva de retornos como esta e não identifica, de cara, que se trata de um modelo que pode fazê-lo esperar muito antes de um resultado desejado, possivelmente não está alinhado à filosofia por trás de swing trade. Em resumo: Não é desta forma que você vai conseguir explorar o mercado em curto prazo.

Ah, mas e o famoso day trade?

Quem nunca ouviu falar sobre day trade, o modelo operacional em se que busca oportunidades nas mais curtas das movimentações, a fim de abrir e fechar negócios dentro de um mesmo intervalo de pregão. Você deve até estar imaginando que vou falar que é o day trade a solução que você estava esperando para usar a bolsa de valores como um canal de investimento a curto prazo. Detesto ser repetitivo, mas ledo engano novamente!

“Mas por quê? Afinal, são operações que começamos e terminamos em um mesmo dia! Tem prazo mais curto do que isto”

Se você está reagindo desta forma à ideia de que o day trade não é uma solução de curto prazo, recomendo que pare agora mesmo o que está fazendo e assista ao vídeo de hoje que coloquei lá em cima. De uma maneira geral, estas estratégias são táticas em que, apesar de estarmos constantemente nos expondo a riscos e movimentos de curta duração, somos sempre, de uma forma ou outra, influenciados pelo cenário macro. Com cenário macro, não falo necessariamente sobre desdobramentos políticos ou econômicos da sociedade, mas sim sobre a forma como os mercados reagem a isto com a volatilidade. Volatilidade é como a gasolina que alimenta os movimentos, e em havendo mais ou menos, de forma direcionada ou ruidosa nos tempos longos, tende a impactar o que acontece dentro das sessões também. É por isto que ocorrerão períodos de “vagas gordas”, mas muitos outros em que você vai patinar bastante para conseguir empatar com os custos (que não são poucos, para quem opera na modalidade). Na somatória final, mesmo no day trade, você pode passar por períodos mensais com o capital acumulando, no aguardo de condições mais favoráveis, simplesmente porque um gráfico mais curto, com menor densidade de volume por barra, pode levar algum tempo até encontrar um contexto no qual os ganhos superem de longe os custos operacionais assumidos.

E diante de tudo isto, o que fazer caso tenha um recurso e deseje investí-lo por um curto período de tempo?

Quando temos janelas curtas de prazo, não devemos abrir espaço para incertezas, se não a probabilidade de frustração é gigantesca! Neste caso, muitas vezes o melhor pode ser deixar o dinheiro na renda fixa, e só vir para o mercado de renda variável no momento em que puder estabelecer um planejamento com mais tempo de duração. O tempo é um aliado nestas horas.

Espero que esteja gostando, e se puder, me deixe o seu comentário sobre o que achou da matéria de hoje. Vou ter o maior prazer trocar ideias contigo. Eu te vejo amanhã às 09h00, com mais um conteúdo de algo que trouxe valor para a minha vida de investidor, e pode trazer para a sua também.