Qual o valor mínimo para começar a investir na bolsa?

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Uma pergunta natural para todos os investidores de primeira viagem é “Qual o valor mínimo para começar a investir na bolsa?”. Por mais que seja uma pergunta básica, deve ser tratada de forma séria, pois há algumas ramificações do assunto para cada tipo de investimento que você esteja pensando em realizar.

Nos veículos de varejo, o ano de 2009 – logo após a crise do subprime –  foi marcado por uma gigantesca ascenção de aspirantes a investidores, entusiasmados com a possibilidade de surfar uma parte da recuperação do índice bovespa, vista por muitos como a oportunidade do século. De fato, centenas de ações tiveram gritante decaimento em seu valor de mercado. Algumas chegavam a superar 80% de queda em relação aos patamares praticados em 2007 e início de 2008, chegando a pequenas frações de seus valores contábeis. Este foi um terreno fértil para o surgimento de campanhas de “Torne-se sócio de grandes empresas a partir de 100 reais”. Algumas até aproveitavam a idéia de uma promoção generalizada. É como se existisse uma espécie de Black Friday no mercado de bolsa.

No entanto, quem acompanhou o que aconteceu de 2010 em diante, viu que a brincadeira não era tão simples, e quem decidisse permanecer no mercado deveria aprender a lidar com as novas regras. Em minha opinião, a lateralização no Índice Bovespa (IBOV), vista deste esta época até os dias de hoje, trouxe uma espécie de amadurecimento ao mercado de ações. Hoje em dia, é muito menor o volume de aventureiros a pisar nestas terras, e podemos dizer até mesmo que as campanhas de marketing dos players de mercado estão muito mais direcionadas à preservação de capital e ao investimento consciente. Poucas são as corretoras especializadas em trading, e nestas, observa-se um empenho muito maior em qualificar o investidor.

Em meio a este enredo, campanhas de “O que você prefere, uma ação ou um tênis?” se tornaram mais raras, e começamos a ver ganhando espaço opiniões do tipo “Junte capital até conseguir algo próximo de R$50.000,00, para a partir daí, começar a investir em ações de forma diversificada”. Mas afinal de contas, qual destes pontos de vista está correto? Qual o valor mínimo para se investir com qualidade? Em busca de compartilhar minha opinião sobre o tema, gravei um vídeo exclusivo. Assista agora mesmo:

O tipo de investimento que você pretende fazer

Basicamente, existem três formas básicas de interagir com o mercado de ações:

  1. Carteira de investimento em valor (ações a longo prazo);
  2. Fundos de investimento em ações;
  3. Active trading na Bolsa de Valores (operações direcionais, compradas ou vendidas).

Para cada uma destas maneiras, há considerações importantes a se realizar sobre o valor mínimo para investir, em especial caso a barreira de entrada, traduzida em custos fixos dos processos de investimento, tenda a mastigar boa parte do potencial de rendimentos do pequeno investidor.

Claramente, para quem tem objetivos de longo prazo e filosofia de sócio de empresas negociadas em bolsa, uma alternativa de entrada pode ser através de fundos de investimento em ações, em especial caso você consiga encontrar algum com performance superior ao Índice Bovespa em diversas janelas de períodos. Neste caso, mesmo que seu investimento em especial seja pequeno, será possível oferecer a ele a mesma gestão de qualidade que o investidor milionário do mesmo fundo possui. Isto pois as suas cotas serão uma pequena participação em uma grande carteira, que já é diversificada e alocada, reinveste dividendos e balanceia suas exposições constantemente. Em outras palavras, por meio de fundos de ações, é possível ter uma carteira de qualidade, mesmo que de outras formas o seu recurso não possibilitasse isto.

Agora, caso você queira uma solução mais personalizada aos seus ideais, terá que modelar sua carteira de ações manualmente,  e todo o trabalho de diversificação, reinvestimento e balanceamento torna-se responsabilidade sua. E qual o pote de ouro ao final do arco-íris, dado este trabalho adicional? Bem, podemos dizer que você ganha a liberdade de escolher de quais empresas você deseja ou não se tornar sócio.

Acho que nunca é demais lembrar o ditado do tio Ben Parker: “Com grandes poderes vêm grandes responsabilidades”, mas este não é o tema do vídeo de hoje.

Focando na barreira de entrada, quando você opta por montar sua própria carteira, deve se atentar ao quanto cada custo fixo envolvido no processo pode estar mastigando seu potencial de retorno. Enquanto, para grandes investidores, despesas como corretagem fixa, taxa de custódia e até mesmo TEDs de resgate muitas vezes passam despercebidas, quando falamos dos pequenos, pode ser que mastiguem boa parte do potencial de lucro. É aí que chego à conclusão: Com menos de R$5.000,00, pode não valer nem a pena pensar em uma alternativa destas, pois além de você não conseguir diversificar, terá seu capital corroído por pequenas taxas e distorções do mercado fracionário. Partindo deste patamar, você não terá nenhuma Ferrari nas mãos, mas já dá para aprender colocando as mãos na massa, algo que considero essencialmente importante.

Por fim, há o TRADER. Para este participante, cuja interação com o mercado é muito mais direta, baseando-se em gráficos de preço e fluxo de dinheiro para operações mais curtas, há uma série de outros pontos a se considerar na hora de saber se o porquinho deve ser engordado mais um pouco, ou se já está na hora certa de sair da conta DEMO e entrar em ação. São fatores como o nível de risco de cada estratégia pretendida, se este setup trabalha com alavancagem ou com desembolso, se o manejo de risco remunera capital a juros compostos ou margem, etc. Mas sobre este assunto, te aconselho a assistir o vídeo lá em cima, em que eu avanço neste tema ;].

E você, como pretende interagir com o mercado de ações? Quanto mais claros os seus objetivos e as soluções que atendam aos seus propósitos, sempre respeitando sua tolerância ao risco, mais fácil saber se é hora de continuar acumulando, ou se é hora de colocar a mão na massa na modalidade desejada. Espero que tenha gostado! Seu comentário é sempre bem-vindo, e eu te vejo amanhã, com mais um conhecimento de valor para os seus investimentos.